quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dislipidose

Este problema surge por doenças hereditárias raras, que ocorrem devido a defeitos ou ausência  de uma enzima lisossomal necessária a uma das etapas da degradação intracelular dos lípidos. A falha no processamento normal provoca a acumulação de metabolitos insolúveis nas células, o que leva à hipertrofia, perda ou alteração de função e eventual destruição destas por sobrecarga.
Pode atingir vários tipos de células, como as mesenquimatosas, parenquimatosas, neurónios e macrófagos. 
A cada doença corresponde a acumulação de um tipo de lípido complexo especifico nas células. Assim, as doenças são classificadas consoante com a natureza bioquímica da tal substância acumulada.

Microscopicamente, as células afectadas apresentam espaços vazios.

Imagem 1: Fígado com dislipidose (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)

domingo, 10 de outubro de 2010

Esteatose

A Esteatose é uma perturbação no metabolismo dos lípidos. Por acumulação excessiva de triglicéridos no organismo, há um aumento dos lípidos intracelulares vacuolizados.

Varia com a causa e a quantidade, sendo geralmente reversível, excepto em casos onde há a interferência do tetracloreto de carbono ou outros tóxicos.
 Na sua forma mais ligeira não tem efeito na função celular, mas quando é mais acentuado pode alterá-la.


Causas:
- Mobilização (fome / gravidez) ou ingestão excessiva de triglicéridos
- Falta de proteínas (problemas metabólicos ou da dieta do indivíduo) que leva à não criação de lipoproteínas
- Deficiente oxidação de ácidos gordos
- Genética, ausência ou défice de enzimas que degradam o glicogénio

Patologia:
A oxidação de ácidos gordos no fígado não consegue acompanhar a sua entrada em quantidades excessivas, o que leva à redução da síntese de apoproteínas (a parte proteica, conjugada, das lipoproteínas), comprometendo assim a formação e secreção de lipoproteínas no fígado.

Microscopicamente:
Células que se assemelham a adipócitos, com vacúolos (confluentes ou não) e núcleo em posição periférica (ao contrário do que se verifica na degenerescência). 
- Fígado – perilobular ou centrolobular
- Rim – nas células epiteliais dos tubos renais, típico em gatos
- Coração – nos miócitos, pode levar a anemias graves

Imagem 1: Esteatose no fígado visualizada microscopicamente (Fonte: http://jcp.bmj.com)

Macroscopicamente:
- Fígado – maior volume, mais claro / amarelado, menor peso, bordos arredondados, friável e untuoso
- Rim – pálido, com estrias esbranquiçadas / brilhantes
- Coração – não há alterações muito visíveis, no entanto podem-se encontrar estrias esbranquiçadas.


Imagem 2: Fígado do centro com Esteatose (fonte: http://w3.vet.cornell.edu).


sábado, 9 de outubro de 2010

Xantomas

É uma acumulação subcutânea de lípidos em forma de nódulos ou placas amarelados. Ocorre nas aves.
Têm uma quantidade variável de colagénio, macrófagos e tecido fibroso.
Podem ser firmes, com mais colagénio, ou moles, com predominância de macrófagos e tecido fibroso em geral. 
Se houver prevalência do tecido fibroso, toma um tom mais acizentado; caso a hemossiderina (pigmento derivado da degradação de hemácias, rico em ferro) esteja presente em maior quantidade, atribui uma coloração mais acastanhada.
Raramente é irreversível - só quando há grandes acumulações de tecido fibroso. Também a formação de grandes cristais dificulta a sua remoção. 
Xantomatose: quando há xantomas disseminados pelo organismo (ex.: xantomatose visceral)

Microscopicamente:
Formam-se células espumosas (por macrófagos que fagocitam lípidos) e também grandes células de Touton, multinucleadas, que resultam da fusão de derivados do sistema fagocitário mononuclear.
Encontram-se macrófagos, cristais de colesterol e tecido fibroso/colagénio.


Imagem 1: Xantoma observado microscopicamente (Fonte: Kumar et al. Cases Journal 2008)
 
Imagem 2: Xantoma na asa de um periquito (Fonte: http://petdocintraining.blogspot.com)


Aterosclerose

A Aterosclerose é um tipo de Arteriosclerose (espessamento e perda de elasticidade das paredes arteriais), na qual há a formação de placas ateromatosas na camada íntima, o que leva ao estreitamento do lúmen.

A formação de placas deve-se à lesão epitelial contínua, que pode ser causada por malformações, turbulência do sangue, batérias, vírus, ...
Esta lesão leva à entrada de lípidos no endotélio, passando assim a haver uma reacção inflamatória, e necrose de alguns tecidos.
Passa-se a encontrar colesterol extracelular e intracelular. Pode também haver a existência de linfócitos. 

Nas placas ateromatosas verifica-se uma calcificação (deposição de sais de cálcio pela ocorrência de necrose), a existência de detritos celulares, cristais de colesterol e células espumosas (macrófagos com lípidos).
Pode igualmente haver penetração de tecido fibroso, graças à reacção inflamatória, e encontrarem-se células musculares lisas que proliferaram por acção de mediadores das reacções envolvidas, bem como macrófagos ou células espumosas.  


Imagem 1: Aterosclerose em arteríola de pulmão (fonte: http://w3.vet.cornell.edu).

Imagem 2: Aterosclerose em artérias coronárias (fonte: http://w3.vet.cornell.edu).

Colesterol

O colesterol tem origem no fígado, onde é feita a sua síntese, ou na alimentação do indivíduo.
É usado nas membranas celulares e hormonas esteróides e circula na forma de LDL e HDL, sendo eliminado pela bílis/hepatócitos e macrófagos.

Microscopicamente:
Intracelular - o colesterol fica acumulado em pequenas gotas ou vacúolos (quando há sobrecarga) que conferem um aspecto espumoso à célula e, numa técnica histológica convencional (hematoxilina-eosina), nos surgem como espaços vazios.
Extracelular - se o colesterol está presente em grande quantidade, este precipita formando cristais losângicos (esterificado) ou rectangulares (livre), que se tornam espaços vazios.


Imagem 1: Deposição de colesterol intracelular, nas células com aspecto claro e espumoso, coração (fonte: http://library.med.utah.edu).


Imagem 2: Acumulação de colesterol extracelular na forma de cristais (espaços vazios), pulmão (fonte: http://w3.vet.cornell.edu) 


Macroscopicamente:
Tem um aspecto amarelado, podendo-se sentir os cristais (caso estejam formados); pode haver formação de placas ou endurecimento com fibrose.