terça-feira, 9 de novembro de 2010

Hiperémia ou Congestão Activa

A hiperémia resulta da congestão a nível arterial, resultando numa vasodilatação e num aumento do peso do órgão pela acumulação de sangue dentro dos vasos. É característica da inflamação aguda. Pode haver rebentamento da circulação para a marginação dos leucócitos.

Macroscopicamente, tem uma coloração vermelho vivo (devido ao sangue arterial). À secção de corte há saída de sangue abundante.
Microscopicamente, há uma boa visão dos vasos, que se encontram cheios de sangue e dilatados.


Imagem 1: Hiperémia nos pulmões e coração de um primata (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu/nst)


Congestão Passiva ou Estase

Ocorre a acumulação de sangue nas veias. Estas dilatam ficando mais definidas no órgão em que se inserem. Há a dificuldade de retorno do sangue.
Podem ser localizadas (caso a causa seja a obstrução/compressão de vasos) ou generalizadas (resultado de insuficiências cardíacas).
Caso seja uma insuficiência cardíaca do ventrículo esquerdo, acumula-se sangue venoso na pequena circulação, o que pode levar a problemas como um pulmão cardiaco. Caso seja uma uma insuficiência cardiaca do ventriculo direito, pode levar a problemas como o fígado cardiaco por acumulação de sangue venoso na grande circulação.
O efeito prolongado desta acção pode levar a alterações degenerativas, edema, hemorragias e necrose.

Macroscopicamente, o órgão apresenta-se mais volumoso e com uma coloração em tons de vermelho mais escuro.

Imagem 1: Fígado cardíaco de porco observado microscopicamente (Fonte: http://intranet.fmv.utl.pt/atlas).

Imagem 2: Congestão passiva no fígado de um cavalo (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu/nst).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Patologia dos Pigmentos - Endógenos

Os pigmentos endógenos são aqueles que têm origem no interior do organismo do indivíduo considerado.

Melanina
Pigmento granular de coloração escura, é possível distingui-la do carvão com água oxigenada - esta torna-se mais clara. É responsável pela cor da pele, cabelo, mucosa oral, cascos e chifres. Pode ser destruida pela oxidação (H2O2).
Melanose: corresponde a um aumento nas células produtoras de melanina, mas que pode desaparecer, não originando complicações. Pode ser visceral ou cutânea. A melanose maculosa é caracterizada como tendo a aparência de um tabuleiro de xadrez, com zonas bem delimitadas, e ocorre tipicamente em jovens, desaparecendo depois sem interferir com a função do órgão, pelo que não tem significado clínico.
Imagem 1: Melanoma na glândula suprarrenal de uma vaca observado microscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)
Imagem 2: Melanose maculosa nos pulmões de um porco observados macroscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)


Melanoma: surge por neoplasia das células produtoras de melanina, podendo ou não metastizar longe do local onde é normalmente encontrada (pele). 



Imagem 3: Melanoma maligno na mucosa bucal de um cão observada microscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu) 
 
Imagem 4: Melanoma na pele de um porco adulto (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)


Lipofuscina
Encontra-se principalmente em animais mais velhos, em estado de caquéxia ou com carências em vitamina E.
É um pigmento derivado de lípidos que oxidam dentro dos lisossomas, e tem um comportamento semelhante a estes, corando com os mesmos compostos. São designadas por substâncias sudanófilas. No entanto, mantém-se após a fixação.
Tem uma cor acastanhada e encontra-se dentro das células.
Nas células do músculo cardíaco tem uma disposição característica, acumulando junto aos pólos do núcleo, sendo designada por atrofia castanha do miocárdio.
Macroscopicamente, o seu efeito na cor do órgão vai depender da quantidade de pigmento presente, podendo parecer castanho ou preto. Assim sendo, é mais facilmente visível em órgãos de tonalidades mais claras, como o pulmão.
Microscopicamente, encontram-se grânulos castanhos negativos ao ferro no citoplasma das células ou junto aos pólos do núcleo (no caso das células do músculo cardíaco).

Imagem 5: Lipofucsina no miocárdio observada microscopicamente (Fonte: http://www.fmv.utl.pt/atlas)
Imagem 6: Lipofucsina no cérebro de uma ovelha observada macroscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)

Pigmentos derivados da Hemoglobina
  • Com ferro
 Hemossiderina: de coloração acastanhada, é comum em situações de hemorragia. Pode ser encontrada dentro de macrófagos. Através da coloração com azul da Prússia é possível dar cor ao Ferro. Pode ser localizada, em casos de congestão passiva, ou generalizada, encontrando-se distribuída por muitos órgãos ou tecidos.
Hemossiderose - deposição de hemossiderina nos tecidos.
Hemocromatose - resulta da deposição de pigmentos principalmente em células parenquimatosas, quando o intestino absorve muito ferro ou há uma menor presença de cobre ou cobalto.
Imagem 7: Pigmentos de hemossiderina no testículo de um touro
observado microscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)

Imagem 8: Impregnação siderocálcica no baço de um cão. Observam placa correspondentes a calcificações e a impregnação por hemossiderina (Fonte: http://intranet.fmv.utl.pt/atlas).

  • Sem ferro
Hematoidinas: Precipita quando há um pH ácido ou alcalino, com cores diferentes, formando cristais em estrela.
Imagem 9: Hematoidinas observadas ao microscópio (Fonte: http://files.forensicmed.webnode.com)

Hematinas: Precipita quando há um pH ácido/alcalino, podendo adquirir cores diferentes.
Porfirinas: Pode ter uma causa congénita ou não. É provocada pela deficiência numa enzima que leva à malformação do grupo heme da hemoglobina, e a sua acção leva a uma maior sensibilidade à radiação UV (origina queimaduras mais facilmente). Os dentes adquirem uma cor acastanhada.
Imagem 10: Porfirinas observadas microscopicamente (Fonte: http://dermatology.cdlib.org)
Imagem 11: Lesões nas faces, nariz e olhos de um
rato com porfirinas (Fonte: http://ratballs.com)
Imagem 12: Rato com porfirinas com os dentes de
coloração acastanhada(Fonte: http://ratballs.com)
Imagem 13: Porfiria num bovino (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu/nst)

Pigmentos biliares: Estes pigmentos correspondem à bilirrubina, conjugada ou não. A conjugação deste pigmento ocorre no fígado.
Icterícia - acumulação de bilirrubina nos tecidos, que são geralmente produzidos pela degradação da hemoglobulina.
Pode ser pré-hepática (há principalmente bilirrubina não conjugada, podendo uma causa ser a leptospirose, podendo-se observar fezes e urina coradas), hepática (uma lesão hepática pode levar a um bloqueio fluxo da bílis, com acumulação de bilirrubina conjugada e não conjugada) ou pós-hepática (há acumulação de bilirrubina conjugada, encontrando-se os órgãos e tecidos corados mas não as fezes).
Imagem 14: Nefrose colémica com muitos pigmentos biliares nas células tubulares (Fonte: http://www.fmv.utl.pt/atlas)

Imagem 15: Ictrícia observada na mucosa bucal de um cão (Fonte: http://www.fmv.utl.pt)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Patologia dos Pigmentos - Exógenos

Pigmentos: substâncias com cor própria - não precisam da coloração para serem evidenciadas. Encontram-se normalmente no organismo, até mesmo em localizações anormais, bem como em quantidades excessivas ou em défice. Podem dar ou ser origem de alterações funcionais.

EXÓGENOS 


Constituem os pigmentos que têm origem externa ao organismo, ou seja, representam corpos estranhos.
Exemplos destes são o ferro (siderose), carotenos (carotenose), sais de prata (arginismo)/bismuto (bismutismo)/chumbo (plumbismo), sílica (silicose), tatuagens, e o carvão.



Antracose: deve-se à deposição de partículas de carvão. Isto verifica-se principalmente nos pulmões, que as recebem por inalação, mas também nos linfonodos próximos.
Esta situação pode extender-se, originando casos de fibrose ou resposta inflamatória (intensa em casos graves).
Macroscopicamente, observam-se nos pulmões pontuações negras dispersas, e nos linfonodos próximos destes uma coloração escura.
Microscopicamente, há a presença de grânulos negros, de fácil visualização.

Imagem 1: Antracose oservada nos pulmões de um chimpanzé (Fonte: www.fmv.utl.pt/atlas)

Imagem 2: Antracose observada microscopicamente, em pulmão de Cão (fonte: www.fmv.utl.pt/atlas).
Imagem 3: Tatuagem observada microscopicamente (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu).
Imagem 4: Tatuagem na pata de um ganso (Fonte: http://offbeatink.com).

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Patologia do Cálcio

Calcificação Patológica

É permanente e irreversível, mas acaba geralmente por ser inócua, salvo excepções (local, intensidade) em que levam a consequências graves (válvulas cardíacas, a nível pulmonar ou renal, ..)  
Macroscopicamente, têm um aspecto branco, endurecido.
Microscopicamente, a sua estrutura é irregular e apresenta uma coloração roxa, ou negra se for usado um corante específico.
 
  • Calcificação Distrófica
É localizada. Há a presença de um substracto anormal, a partir do qual é despoletada a calcificação. É um acontecimento comum em necrose, principalmente de caseificação.
Imagem 1: Calcificação distrófica num tendão (Fonte: http://www.rad.washington.edu)

  • Calcificação Metastática
Sucede em casos de hipercalcémia provocados por osteosarcomas. Há deposição de cálcio em vários locais do organismo (localização difusa), como nas paredes dos vasos e nas mucosas.
Imagem 2: Metástases de osteosarcoma no fígado e baço de um cão (Fonte:http://www.fmv.utl.pt/atlas)




Calcinose Circunscrita (ou gota cálcica)

Não se conhece a causa, mas ocorre principalmente em cães. Há formação de nódulos subcutâneos correspondente a focos de necrose que podem sofrer calcificação.
Macroscopicamente, as formações nodulares podem estar encapsuladas ou não, e são brancas, firmes e duras.
Microscopicamente, é basófilo e pode-se encontrar tecido conjuntivo, células gigantes, neutrófilos ou linfócitos.
   
Imagem 3: Calcinose circunscrita na região pré-escapular de um gato (Fonte: http://www.fmv.utl.pt/atlas)




Cálculos
Ocorrem formações esféricas/ovóides/facetadas, sólidas, geralmente em órgãos ocos, canais/cavidades ou em vasos. 



Falsos Cálculos
Assemelha-se a um cálculo mineral mas não o é, sendo composto de substâncias não minerais. Por exemplo, pêlos, fezes secas ou fibras vegetais.
Encontram-se principalmente no estômago ou no intestino e formam-se ao longo do tempo, sendo compactos, pesados.
Levam a complicações como rupturas ou peritonites quando causam obstruções.
Quanto à sua constituição, são-lhes atribuídos diferentes nomes.
  • Pilobezoários - pêlos - ocorre em Bovinos, Cães e Suínos
  • Fitobezoários - substância/fibras vegetais - ocorre em Equídeos e Ruminantes
  • Fecalomas - material fecal seco
    Imagem 4: Pilobezoários encontrados no rúmen de bezerros (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu/nst)


    Imagem 4: Fitobezoário encontrado no cólon de um cavalo (Fonte: http://w3.vet.cornell.edu)
    Imagem 5: Obstrução intestinas devido a um fecaloma numa otária (Fonte: http://intranet.fmv.utl.pt/atlas)